15/06/08

Porquê acordar com os galináceos das redondezas?

Férias, férias, férias...palavra mágica repita vezes sem conta, o que poderia corresponder a mais umas horinhas na cama usufruindo do deleite da pachorice. Nao, não, não... tudo mentira... Com férias, transformo-no num despertador com duas ou 3 interrupções no sono. Acordo sempre por volta das cinco para ir à casa de banho ou por livre e espontânea vontade que se traduz sempre num certo mau estar e sensação de barriga cheia, ou então com o já barulhento banho matinal da minha vizinha do 4º apiso. A criatura que já descobri que é enfermeira, adora encher a banheira, deixar a porta bem escancarada da casa de banho de forma a que todas a ouçam e acompanhem nos 20 minutos seguintes. Quase sei de côr os sons que se seguem. Todos os ouvimos, ou netão só mesmo eu, pois os restantes tomam xanax ou valium ou então são surdos.. Vizinhos, marido e bebé, sim ela tem um criança pequena - devem ouvir este ritual deveras matutino. Eu agradeço ficar desperta logo pelas 5h, posso reflectir se estava a gostar do sono e de repente decidir qual o meu guarda roupa para esse mesmo dia ou os acessórios a utilizar. Por outro lado, estes despertar das 5h contribuí para que me sinta felicíssima por saber que tenho uma vizinha com hábitos de higiene salutares. Já pensei em conversar com ela, para que de uma vez por todas desistisse de tomar banho....mas que lhe diria...? não tome banho, não encha a banheira, faça menos barulho. O meu segundo despertar ocorre geralmente pouc antes das 7h em que ouço os galos e galinhas das redondezas, mas algum pássaro mais atrevidote. E apesar da imagem parecer campestre e alegre, faz-me acordar resmungona, ainda para mais porque tenho um despertador rádio muito estupido que apesar de várias as horas que coloco para acordar, às 7 é mesmo tradição... lá dá o seu toque irritante de electrodoméstico estragado. Então já é comum acordar, para quase brutalizá-lo e enfim silêncio no quarto e adiar sempre tirar-lhe as pilhas, porque me irrita, porque já não dá rádio, porque é um d espertador estúpido. E no caso de me aventurar a ficar mais umas horinhas na cama, 10h são o máximo que eu consigo estar a dormir na verdadeira acepção da palavra, pois do outro lado da casa, as minhas felinas, garbo e luna começam a choraminguice habitual que só termina quando lhes abro a porta e lhes dou mimo.
Já é oficial, estou de férias, desperto quse todas as noites 3 vezes, salvo excepção quando vou ao ginásio logo pela manhã... e a chuva veio...há sempre chuva quando inicio as minhas férias, portanto tudo está na normalidade...

10/06/08

Os meus dias

Nesta minha nova fase da minha vida, pro-alegria e adepta de dar um chega para lá à tristeza, tenho ocupado os meus serões o mais activamente. Tenho saído sempre que posso. Vou tomar café com amigos, visitá-los a casa, janto e lancho por lá, vou ao cinema, ao teatro e às vezes não vou a lado nenhum, mas isso já não me agonia e consigo desfrutrar da minha companhia com tanto prazer como outrora. Sim, é verdade ganhei medo de ficar sozinha em casa, pois era assaltada com crises de choro compulsivo, originando inchaços nos olhos, sentia-me feia e triste...enfim, uma fase má que já passou e que espero que não volte mais.

E depois...que aconteceu?

Tenho andado com o meu astral muito bom, comparativamente aos últimos meses. Só recentemente é que concluí que passaram já quase seis meses desde o final do ano e tanta coisa aconteceu, nomeadamente desde Fevereiro... Pensei que voltar a sorrir fosse mais complicado e embora não esteja 100% EU, já consigo ter o meu característico humor e ver a vida de outra forma, já não me sinto tão sózinha. Pois sem ELE, fiquei com a impressão que tudo perdeu a graça, desculpem o cliché. Mas a minha vida passou a ser preto e branco, com muita nebulosidade. SINTO SAUDADES, MUITAS ÀS VEZES. Durante muito tempo vivi à beira das lágrimas, com uma tristeza imensa, saudades, fúria e frustração. Apercebi-me que a maioria das pessoas reage mal à tristeza alheia e senti a distância de alguns que julgava serem amigos ou poderem vir a sê-lo. Mas surpreenderam-me outros que apesar de se manterem colegas e ser apenas o estatuto que lhes tenho a oferecer, ficaram por perto e esforçaram-se por me fazer companhia, fazer-me sorrir, partilhar momentos de conversa. É nestas alturas que me lembro sempre de uma frase que um dia encontrei num bagi: os amigos são aqueles que ficam quando os outros se vão embora... E é um facto, "perto" de mim estão as pessoas de quem mais gosto e que sentem o mesmo por mim. E por mais afastados que estejamos, por vezes, nas alturas certas andam mesmo ao lado. Já não me fio em fáceis sorrisos, em frases como "gosto muito de ti e se dependesse dos meus pedidos e preces serias uma pessoa muito feliz", pois os actos demonstram o oposto. Gostar-se, ser-se amigo é algo que não é construido com palavras e que rapidamente se demonstram ocas. Ser-se amigo é ser-se em gestos...e eu cansei de andar atrás e sentir que dou mais do que recebo... Ao fim de mais de 30 anos de existência começo a gostar um pouco de mim e não ter a necessidade constante que mereço afecto e aprovação. Desisti de ser amiga de algumas pessoas, porque a distância queria muros difíceis de subir, deixei também de sentir afecto e a preocupação constante de saber como estão, passaram de irmãos a meros conhecidos ou pessoas em que no momento da minha vida foram importantes, mas já não são mais. E o sentimento e ruptura é reciproca e muitas das vezes surgiu dos outros. Não foi/ é fácil. Senti aperda, fiz luto e parte de mim morreu, não volta a ser igual, porque é muito triste perder pessoas de quem se gosta/ gostou...
E o que se aplica à amizade, adequa-se ao amor...também tenho reflectido nele, mas por vezes apetece-me fazer diferente do que penso... Mas devo acreditar que mereço mais, não me posso contentar com pouco ou nada. É seguir caminhando...
E o tempo passou. A início parecia que demorava mesmo muito a passar e de repente já se foram 4 meses desde que... E então decidi reagir e lutar por melhores dias...
A felicidade é sem dúvida uma opção e um árduo percurso, mas as caminhadas não me fazem medo. Às vezes apetece-me chorar e "sentar-me" questionado-me porque é que as coisas são assim, porque ainda gosto tanto de TI e TU tão pouco. Mas na maioria das vezes já consigo desligar-me e não pensar sempre em ti, porque não quero, porque não mereces, porque me fazes sentir triste, quase sempre., porque me fizeste chorar, muito , mas muito mesmo...Dizem-me para pensar nos bons momentos partilhados, mas se o fizer não te esqueço e eu quero apagar-te. Quero um dia olhar-te nos olhos e não sentir um grande aperto na barriga, as pernas a tremilicar e o coração galopante. Sim, tu tens em mim toda a reacção de uma crise de ansiedade em que qualquer medicamento com o fim terapêutico de minimizar sintomas poderia resolver problemática. Ninguém gosta de ter ansiedade? Porque é que gosto de gostar de ti? Não posso gostar, não devo...
Mas como apagar memórias e sentimentos de um momento para o outro? Quase que impossível, eu sei, mas era disso que precisava, de uma poção mágica que aniquilasse todos os registos. Um dia vou dizer, já não gosto de ti... e se tu gostas ainda ou não, deixará de ser importante, porque eu sou mais importante...

20/05/08

Peripécias na estrada

Confesso que estou a escassos passinhos de me transformar numa tia super cola, pois quase todos os dias tenho ido visitar a minha sobrinha. Ela ainda não tem discernimento para se aperceber da minha presença e de me dizer: baza! Portanto tenho de aproveitar estes momentos diários de pura contemplação, porque a minha sobrinha é um "docinho" de menina que só dorme e come e de vez em quando nos espreita com um olhar meio confuso de quem obviamente só vislumbra sombras...
Tenho tido algumas peripécias na estrada a caminho da casa dos papás, pois ou sou eu que vou em cima da hora, isto é, com muita pressa e pouca paciência e, logo, implicativa, ou então entre as 10h e as 12h é dada autorização a todos os azenhas de maia e arredores a cruzarem-se no meu caminho. É um fulano que decide ir a 30 km/ hora e olhem que não exagero, pois olhei imensas vezes para o conta-quilómetros. Tudo isto em vias de dois sentidos cheias de curvas sinuosas em que uma ultra-passagem está fora de hipótese, pois é muito arriscada... Mas para mim o cúmulo foi um fulano andar sempre a dar sinal ora para a esquerca ora para a direita como se fosse mudar de direcção travando constantemente e não é que chegando a um cruzamento, logo no início pára na via e não é que vejo do outro lado um grupo de velhinhas, ok vou moderar linguagem, senhoras com idades que francamente ultrapassavam os 70, mas pelo caminhar parecia rondar antes os 90 anos. fiquei super stressada e com vontade de sair do carro e transportá-las ao colo se necessário para serem mais rápido, uma delas toda airosa, usava o guarda-chuva como bengala e gesticulava-se bastante, toda divertida à conversa. Apetecia-me mesmo dizer "senhora, por favor, fale no carro...eu quero chegar hoje ao meu destino". Na verdade queria dizê-lo versão "peixeirona" com mãos nas ancas vociferando e espalhando perdigotas, mas isso faria de mim uma pessoa genuinamente desiquilibrada, coisa que num sou apesar destas ideias loucas e muito tentadoras.... Outra fantástica logo, uns metros a seguir foi de um casal de namorados andarem em plena rua, como se de uma viatura se tratasse. Eu sei que o amor nos deixe loucos, mas ao ponto de confundir uma estrada com o passeio e de não se paerceberem da agitação rodovária, por favor...não conheço amor assim. Que fiz? Apitei, utilizando a buzina, claro está... a minha dor de corno não dá ainda para me transformar em objectos inanimados...e sabem como reagiram eles? Susto? Medo? Raiva? Estupefacção? NÃO?! UM sorriso enorme daqueles que nos fazem ficar sem palavras...terrivelmente felizes e àquela hora da manhã e eu com pressa e com vontade de os fuzilar, na volta também sorririam se lhes apontasse uma arma. Como vêem sou insuportável e insensivel perante pessoas com idades séniores, morosidade motora e acima de tudo...apaixonadas. Chego ao meu destino e vejo um bebé dormindo e espreguiçando e lá se vai o mau humor só mesmo agora recuperado para escrever este post...a sério, as crianças fazem milagres,,,

19/05/08

Mudei de opinião sobre o Titanic...o filme

Anteontem enquanto dormitava e espreitava a programação dos canais que no meu lar, a bem dizer, se restringem aos nacionais e pouco mais, apercebi-me que estava a passar na TVI, em plena matiné, o "Titanic". Fiz uma careta enorme, porque sempre achei o filme ridicularmente lamechas e com uma estória de amor simplesmente imbecil. Pela diversidade de adjectivos utilizados dá para fazer uma pequena ideia do impacto deste filme na minha vida... Porém devo confessar que me distraí e (re)vi um pouco deste exemplar cinematográfico que sempre calasifique de versão forçadérrima de "lagrimita no canto do olho". Algo mudou desde domingo. A forma como "vi" a postura das personagens, o melodramatismo, o facto da Rose (a personagem interpretada pela Kate Winslet) ter ficado toda a vida "apaixonada" pelo amante pobre, de repente pareceu-me plausível. Até mesmo quando ele está completamente congelado e obviamente morto, o que para mim era de uma crueza ela -a amada - deixá-lo afundar e pensar em salvar-se...agora julgo que sem dúvida foi o mais plausível. Não...ía ficar morrer de frio e deprimida enquando barcola salvadora passava próximo dela... Continuo a achar este filme uma lamechice medonha, porém os meus argumentos para desmembrar esta estória e reduzi-la a algo imbecil, foram por água abaixo... Eu sim, senti-me estúpida e insensível por er gozado todos aqueles que sairam do cinema a chorar a cântaros. Não é que tenha ficado sensibilizada, simplesmente acho que estou mais ponderada nas minhs opiniões e me apercebi que quanto mais velha estou, me torno mais compreensiva e aberta a opiniões distintas e aceitar que os outros pensem e sintam de forma diferente sem me sentir tentada a vir com piadas sobre o assunto.